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Igreja das Carmelitas Situa-se na praça de Marquês de Pombal e faz parte do antigo convento de S. João Evangelista, popularmente conhecido como convento das Carmelitas. D. Brites de Lara, filha do 1º Duque de Vila Real, casara com o florentino Pedro de Médicis (3º filho do Grão Duque da Toscana, Cosme de Médicis) que fez ao serviço de Espanha serviço militar da maior projecção até à sua morte em 1604. Por esta razão, D. Brites de Lara, jovem viúva, recolheu-se a Aveiro comprando aqui espaços suficientes e mandou construir um palacete para si com a vontade de o transformar em convento de carmelitas descalças, como conhecera em Madrid nos anos da sua vivência conjugal. O palacete estaria terminado por 1616, mas D. Brites manteve-se recolhida no mosteiro de Jesus por haver cedido o seu paço para habitação dos carmelitas descalços que, entretanto, se fixaram em Aveiro, donde só saíram para ocupar o convento novo, em Sá, muito suportado pela bolsa desta mecenas aveirense. Após a revolução de 1640, sendo alguns seus familiares implicados na revolta de 1641 contra D. João IV, nesse paço foram recebidas e apoiadas algumas vítimas (e viúvas) da perseguição joanina, o que se traduziu em hostilidade da governação por parte da família real. Tendo pedido insistentemente que lhe autorizassem a conversão do palacete em convento, não obteve em sua vida (morreu em 1648 e jaz no convento masculino dos carmelitas descalços) nem em vida do rei essa graça, só concedida em 1657 por D. Luísa de Gusmão, processando-se obras de adaptação à custa do seu herdeiro, o Duque de Aveiro. Pelo meado da primeira década do século XX, a ala norte do convento foi amputada a par com a igreja para se alargar a praceta que lhe fica em frente, o que, tendo sido altamente polémico na ocasião, foi entendido como acto de profundo anticlericalismo. A obra do palacete/convento é simples na tradicional traça seiscentista, girando em torno de equilibrado claustro. A igreja, enriquecida com o tempo, assumiu carácter relevante no campo das artes com as obras da década de 30 do século XVIII, sobretudo no revestimento azulejar (eram mais os painéis e estavam datados de 1737) com cenas religiosas e simbologia carmelita, na escultura, na talha e na pintura, relevando-se nesta um enorme conjunto de telas no tecto da igreja, mais pela quantidade que pela qualidade, das quais algumas se perderam. Não sendo grande obra de arquitectura, a igreja funciona como um todo de carácter barroco, sendo neste aspecto uma pequena jóia artística que merece atenta visita. Infelizmente, por ocupação indevida e desajustada do convento, a igreja tem andado diminuída por não estar enquadrada no conjunto da obra para que foi pensada, passando desapercebida a grande parte da população e dos visitantes de Aveiro. E merecia melhor sorte. |
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