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Fernão de Oliveira Nasceu em Aveiro em 1507, iniciando os estudos no convento dominicano, mas cedo transferido para o de Évora, donde acabou por fugir com destino a mundos diferentes, nomeadamente a França e a Inglaterra. Crítico da actuação política e religiosa em que Portugal vivia, defendeu posições do herético rei de Inglaterra, advindo-lhe daí pesadas consequências quando regressou a Portugal e foi preso pela Inquisição, em 1547. Preso durante anos, teve que publicamente abjurar seus erros e andar vestido conforme imposição do Santo Ofício, regressando à liberdade, bastante doente, em 1551. Por isto e pelas posições que tomara, nem os cristãos novos confiavam muito nele, nem os cristãos velhos. Da sua notável produção literária se relevam o Livro da Fábrica das Naus e também a Arte de Navegar e a Arte da Guerra e do Mar, tal como, noutra direcção, a famosa Gramática da Linguagem Portuguesa e o De re rustica. Homem superior pela sua capacidade intelectual, padre ou soldado, aventureiro em várias países católicos ou não, crítico das mentalidades tradicionais, estudioso de grandes méritos se a intelectualidade portuguesa o soubesse reconhecer, capaz de viver com gentes fidalgas como de enfrentar situações de sobrevivência difícil, o padre Fernão de Oliveira que para contrariedade de muitos se confessou à Inquisição como natural de Aveiro, é bem uma figura singular que corporiza um espírito abrangente de verdadeiro homem do Renascimento. Morreu cerca de 1581. |
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