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Antónia Rodrigues Nasceu em Aveiro, Segundo a opinião corrente, em 31 de Março de 1580, na freguesia da Apresentação, filha de Simão Rodrigues, marítimo, e de Leonor Dias. Com parcos recursos familiares mas habituada às histórias aventureiras de tantos navegadores aveirenses, Antónia foi, muito jovem, para a companhia de uma irmã, casada em Lisboa, onde não gozou de grande aceitação familiar, gerando-se nela um espírito insubmisso e com sede de liberdade, objectivo que projectou através da complexa sociedade marítima da época, já que ouvia com entusiasmo os relatos, fantasiosos ou verdadeiros, dos capitães de navios que aportavam à capital. Decidiu então desafiar o destino. Comprou na Feira da Ladra roupagens de grumete, cortou o cabelo à rapaz, adequou-se a um total disfarce e conseguiu ser aceite como elemento da tripulação de um navio que, carregado de trigo, se preparava para zarpar para a portuguesa vila de Mazagão. Ali chegada, por dever de honestidade, entendeu avisar o capitão-mor da praça de alguns abusos do mestre do navio relativos à carga que levava. Verificadas as fraudes, reconhecido, o dito capitão convidou o jovem grumete a alistar-se na infantaria local, passando "António Rodrigues" a exercitar-se no manejo das armas, com rara perícia. Arguto, o jovem soldado pressentiu um ataque mouro e, avisando o capitão da praça, foram tomadas adequadas medidas, cabendo-lhe o comando de um troço de tropas do qual resultaram benefícios enormes traduzidos por uma clara vitória sobre os atacantes. Daí resultou que, entrando os vitoriosos em Mazagão, António Rodrigues foi triunfalmente aclamado e, pouco tempo depois, o capitão formulava-lhe o convite para integrar a cavalaria da praça. Seguiu-se, a partir daqui, um período brilhante de actuações militares, quando eram frequentes os ataques nessas praças portuguesas do Norte de África, cabendo-lhe com frequência a frente de combate, enquanto se generalizava a fama de que António Rodrigues era o "terror dos mouros". Estimado e respeitado por todos, o tempo da glória ia passando e estranhava-se que o destemido cavaleiro não procurasse donzela. Insinuavam-se em sua volta as jovens fidalgas da praça, havendo cada vez maior pressão para que o jovem oficial se casasse. Por isso, Antónia Rodrigues entendeu confessar a verdade ao seu capitão-mor que, certamente surpreendido, não teve alternativa e assim se combinou que a "heroína da Mazagão", não obstante as glórias militares que justamente merecia, trocasse as fardas pela roupa civil, com pena de seus companheiros e muitos amigos. Casada, regressou ao reino, reconhecida por mercês régias que, sobretudo, Filipe II de Portugal lhe conferiu. Diversos escritores da época se lhe referem pelas acções valorosas que praticou, mas para os seus naturais, Antónia Rodrigues foi sobretudo o exemplo da inconformidade em busca do seu destino, seduzida como tantos outros que daqui partiram pelos encantos do mar alto, em defesa da Fé e do Império. Ignoram-se outros dados familiares bem como a data e local da sua morte. |
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